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GuaIA: como uma IA multimodal enfrentou a desinformação eleitoral no Brasil

Como o GuaIA, plataforma do TRE-GO e da UFG que levou o 1º lugar no FastLabs 2025 do CNJ, analisa texto, imagem, vídeo e áudio em menos de 4 segundos.

AL

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Mascote da urna eletrônica brasileira ao lado de uma urna e de um slide projetado
Capa: Pilili mascot with voting machine, TSE - Tribunal Superior Eleitoral, domínio público, via Wikimedia Commons

O problema: a desinformação não vem em um formato só

A desinformação eleitoral no Brasil não é só um problema de texto. Uma afirmação falsa pode circular como post em rede social, imagem adulterada, vídeo tirado de contexto ou áudio com voz clonada. Uma ferramenta que só lê texto deixa a maior parte dessa superfície sem cobertura.

Esse foi o ponto de partida do GuaIA, plataforma de IA criada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) em parceria com o Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (UFG). O objetivo é ajudar a Justiça Eleitoral a detectar e classificar desinformação sobre o processo eleitoral, incluindo deepfakes. Atuei no projeto como engenheiro de software e coarquiteto.

O que o GuaIA faz

O GuaIA analisa quatro tipos de conteúdo (texto, imagens, vídeo e áudio) e devolve uma análise em menos de quatro segundos. Segundo a página do projeto na UFG, o trabalho segue um fluxo de cinco etapas: extração, classificação, análise forense, interpretação e intervenção.

O TRE-GO lançou a ferramenta em agosto de 2024, como projeto-piloto. Conforme noticiado no lançamento, durante o piloto o uso ficou restrito aos gabinetes dos desembargadores eleitorais e ao Ministério Público do estado, com ampliação do acesso prevista conforme o sistema amadurecesse.

Minha parte: serviços, dados e coordenação

Dividi as decisões de arquitetura com o restante do time e desenhei e implementei os serviços em Python e NestJS que fazem a plataforma funcionar como um produto único. Também integrei vários bancos de dados e coordenei as diferentes frentes técnicas do projeto.

Três restrições moldaram a maior parte da engenharia:

  • Quatro formatos, um produto. Cada tipo de conteúdo exige uma análise própria, mas quem usa o sistema precisa enxergar uma resposta coerente.
  • Um orçamento de latência. Menos de quatro segundos é requisito de produto, não capricho. É o que torna a ferramenta utilizável dentro de um fluxo real de análise.
  • Quem decide é uma pessoa. O GuaIA foi concebido como ferramenta de apoio. A decisão final sobre qualquer medida continua com um agente humano, que é o desenho certo para um sistema que toca o debate público.

Reconhecimento

O GuaIA conquistou o 1º lugar na categoria Tecnologia Judicial Inovadora (Ideias Inovadoras) do FastLabs 2025, parte do Prêmio Inovação do Poder Judiciário do CNJ, conforme divulgado pelo CNJ. O sistema já foi adotado, e outros tribunais regionais eleitorais entraram no projeto, segundo a página dele.

O que eu diria a quem for construir algo parecido

Se você vai construir algo semelhante, meu conselho é decidir cedo o que o produto promete (quais formatos, com que velocidade, com qual supervisão humana) e deixar essas promessas guiarem a arquitetura. Os modelos vão mudar. O contrato com quem depende do sistema não deveria.

No próximo artigo desta série eu aprofundo as questões de desenho por trás de um sistema assim.

Referências

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Escrito por Adriano Leão

Sou engenheiro de software em Goiânia e construo sistemas de backend e IA. Estas notas vêm dos sistemas que entreguei: coarquitetar o GuaIA, escalar o Como Votam e levar o MusicPlayce Hub do zero a usuários reais.

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